EDITORIAL
Tão importante quanto fazer a caminhada é partilhá-la com quem a realiza junto. Chegando ao meio do ano, desejamos comunicar alguns acontecimentos que fazem a Pastoral, bem como trazer presente reflexões que podem nos encorajar no caminho.
Vivemos recentemente a 26ª Vigília pelos mortos de Aids. Muitas comunidades em todo o Brasil celebraram a solidariedade e a esperança, mas também o compromisso de participar de soluções conjuntas para evitar o HIV. Em nossa página na internet publicamos fotos e reflexões sobre este evento.
Neste número acolhemos a partilha da caminhada da Região Centro. Mãos entrelaçadas, fortes e acolhedoras fazem história em sintonia com a caminhada nacional. São agentes nas dioceses e paróquias levando informação, sensibilizando para superar preconceito e promover vida digna para as pessoas que se descobrem com HIV.
Partilhamos a experiência de capacitação e organização da Pastoral em vários regionais, felizes por sabermos que novos agentes descobrem a alegria de servir e se comprometem para construir um mundo sem Aids.
Pastoral amplia participação no campo político

Desde a última assembleia, a Pastoral vem colocando em prática a dimensão de incidência política. Nesta perspectiva elaboramos a cartilha “incidência política” que está sendo debatida em grupos nas dioceses, ajudando lideranças e membros das comunidades a entenderem os mecanismos da participação e do controle social das políticas públicas.
Também está em processo de execução o programa de “ampliação da incidência política da rede da Pastoral” que pretende qualificar os agentes que já estão inseridos ou estão dispostos a ocuparem espaços de controle social. Nos próximos meses estes treinamentos acontecerão em todo o Brasil e, em seguida, as experiências serão partilhadas pela internet: pastoralaids.org
Mulher: vulnerável, mas protagonista

No contexto de aumento das infecções entre as mulheres, elas próprias podem ser agentes de prevenção e de cuidado. Para ampliar essa participação, grupos da pastoral estão realizando o estudo da cartilha “Viva Mulher”. Além de facilitar o diálogo sobre temas como gênero, corpo e sexualidade, a cartilha incentiva para o engajamento em outros espaços, onde as mulheres constroem sua cidadania, melhoram a auto-estima e tomam consciência de seus direitos.

REFLEXÃO
Ação Pastoral e Incidência Política
A criação da Pastoral da Aids e o trabalho dos agentes nas diversas realidades indicou que a missão da igreja no campo do HIV e Aids devia ser mais ampla que a assistência. Amadureceu a compreensão sobre a responsabilidade da Igreja na área da prevenção, da acolhida e solidariedade, da articulação e parcerias, da incidência política, mística e espiritualidade. Essas cinco dimensões dão, aos poucos, unidade ao trabalho pastoral nas dioceses, paróquias e comunidades.
O campo da incidência política é importante, pois coloca os agentes dentro do contexto de consolidação da democracia, um modelo que precisa ser construído e sustentado cotidianamente. Embora tenhamos maior consciência dos direitos, ainda nos deparamos com grandes injustiças e gritantes situações de desrespeito aos direitos humanos. Por isso, a necessidade da vigilância para avançar na democracia e na garantia dos direitos conquistados, evitando o retrocesso.
Especificamente no caso da saúde, com a gestão descentralizada, se faz necessário defender o SUS para que esteja acessível a toda a população, implementar e monitorar as políticas públicas, acompanhar a execução das ações e aplicação dos recursos. Como interessa a todos, é dever de todo cidadão participar dos espaços de controle social para qualificar os serviços.
A contribuição da Pastoral da Aids no controle da epidemia deu-se de forma gradual. Num primeiro momento os agentes recebem conhecimento nas áreas técnica, política, metodológica e espiritualidade para começar a dar conta de uma epidemia diversificada e abrangente. A capacitação de agentes multiplicadores é, por isso, uma das dimensões prioritárias da ação pastoral.
Nas primeiras capacitações, as políticas públicas eram trabalhadas no intuito de esclarecer a importância e as implicações de ter ou não compromisso político. No decorrer do processo, foi intensificado o diálogo com o Programa Nacional de DST e Aids, na perspectiva de capacitar especificamente os agentes da Pastoral da Aids para o campo da incidência política, oferecendo elementos para a compreensão do controle social no âmbito das políticas públicas. No atual momento, a Pastoral redimensiona esta formação de agentes, buscando fortalecer e qualificar a incidência política e a participação dos seus agentes nos espaços de controle social do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse sentido, estabeleceu um processo de formação de lideranças para atuação em quatro espaços políticos: Fóruns de ONG/Aids, Planos de Ações e Metas (PAMs), Frentes Parlamentares e Conselhos de Saúde.
Dentro deste contexto, se insere este programa de incidência política. Ele acontece a partir da capacitação de 100 agentes de Pastoral das cinco regiões do Brasil que atuam em algum desses espaços políticos ou que estejam dispostos a se engajar. Em momento posterior, serão treinados outros 80 agentes de municípios que ainda não participam da política de incentivo, concretizados no Plano de Ações e Metas.
O objetivo desse programa é tornar conhecidos os mecanismos de elaboração das políticas públicas e leis; como se dá o planejamento das ações e a liberação de recursos para cada setor, compreender o papel da sociedade civil no processo de implementação das leis e no acompanhamento de sua execução.
Para consolidar esse processo elaboramos um Manual do Facilitador para qualificar e ajudar os Agentes a se inserir nas instâncias do controle social e incidir nas políticas públicas. Queremos que os agentes conheçam e atuem em um dos quatro espaços que consideramos importantes para a promoção e a garantia de direitos. Muitos agentes já estão inseridos e atuando em espaços de controle social. Com estes queremos fortalecer sua incidência e também motivá-los a capacitar novos agentes.
São Tiago em sua carta alerta que “a fé, se não for acompanhada de obras, é morta” (Tg 2,17). Já temos meios, conhecimento, vontade. Precisamos agora colocar a mão na massa para garantir os direitos e melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas. A Saúde é um direito de todos. A garantia deste direito também é conquistada com a participação de cada Agente que se compromete e se torna presença ativa num espaço de controle social. Acompanhe este processo no blog da Pastoral (pastoralaids.org) e caso se sinta chamado para colaborar e caminhar junto entre em contato conosco: secretaria@pastorlaaids.org.br
FATOS
A Pastoral na Região Centro
A Pastoral da Aids na Região Centro está no coração do Brasil, onde se faz presente a sede do governo do país e também do presidente da Pastoral da Aids (Dom Eugênio Rixem), na Diocese de Goiás. O que mais podemos precisar para ser um sucesso?!
A vegetação típica desta grande região é o cerrado: árvores, arbustos e gramíneas de tipos, alturas e quantidades diferentes. Acreditamos que o lugar onde vivemos nos faz. Assim, a Pastoral da Aids da região centro está influenciada pelo local onde afunda suas raízes: no coração do Brasil, perto dos poderes políticos, econômicos e eclesiástico do país e como no cerrado, o chão onde pisamos, firmamos e caminhamos. Local onde o humano e divino andam juntos, os pobres e os ricos, o céu e a terra!
Desde que assumimos a coordenação da Pastoral da Aids, em 2005, já caminhamos muitos quilômetros nos estados de Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás levando o que faz parte do nosso coração e da nossa missão: acolhida, solidariedade e informação – o tripé da pastoral!
Foram capacitados mais de oitocentos agentes atingindo metade das dioceses. Uma grande alegria para nós é a presença e participação de pessoas soropositivas na Pastoral da Aids da Região Centro. Partilhamos as fotos de algumas de nossas atividades
Além das capacitações e encontros é realizada a vigília pelos mortos da Aids no terceiro domingo de maio, em diversas paróquias e dioceses. Para o dia mundial de luta contra a Aids também organizamos e realizamos diversas atividades reivindicatórias.




GRUPO AAVE Apoia Pastoral
O Grupo AAVE – Aids: Apoio, Vida, Esperança fundado em 1995, instituição parceira da Pastoral da Aids na Região Centro, oferece o apoio, a estrutura, voluntários e funcionários para a execução e realização diversas atividades e serviços para pessoas soropositivas e realiza ainda um trabalho educativo e preventivo junto à sociedade goiana. Hoje temos 318 (trezentas e dezoito) famílias cadastradas que se beneficiam dos cursos, atividades e serviços oferecidos pela Casa.

CONVHIVENDO COM HIV
Alterações anatômicas e metabólicas em pacientes portadores de HIV/Aids, que fazem uso da terapia antirretroviral são descritas desde 1998 e são chamadas com o nome genérico de lipodistrofia. Elas são marcadas pela distribuição alterada da gordura corporal, principalmente na região da face, nádegas, membros superiores e inferiores região do abdômen, região cervical (giba), dorso e mamas, além da proeminência das veias superficiais.
Alguma dessas alterações tem indicação cirúrgica. É fundamental, no entanto, o acompanhamento nutricional e a prática regular de exercícios físicos para controlar a lipodistrofia. As cirurgias disponíveis no SUS são: preenchimento facial com polimetilmetacrilato, lipoaspiração de giba, parede abdominal e dorso, redução de mama, reconstrução glútea com prótese de silicone e preenchimento perianal com gordura e tratamento da ginecomastia.
(Fonte: http://www.aids.gov.br/data/Pages/LUMISD887F9ACPTBRIE.htm)
NOTÍCIAS
Capacitações
Seguem nas dioceses e regionais os encontros para preparar agentes para o trabalho concreto da Pastoral. Felizmente, Deus chama e as pessoas têm coragem de responder e se engajar em atividades que cuidam da vida.









Pastoral realiza prevenção com ônibus
Os agentes da Pastoral do Regional Sul 2 seguem o trabalho de informar a população utilizando o ônibus que foi adaptado para essa finalidade. Neste período um grupo de agentes do Regional juntamente com o grupo local da Pastoral estão realizando atividades na diocese de Francisco Beltrão-Palmas.

Diocese abre Casa de Acolhida
A Pastoral da Aids da Diocese de Paranaguá inaugurou no dia 15 de maio, a Casa de Passagem “Lar Acolhedor Nossa Senhora do Rocio” que tem como finalidade acolher e amparar com qualidade, transparência e amor pessoas vivendo com HIV e Aids, seus familiares, bem como incentivar a formação profissional para sua sustentabilidade. A casa lar atenderá a comunidade de todo o litoral do Paraná.
A Coordenadora da Pastoral da Aids, Sueli Ferreira dos Santos (Sula), informa que serão realizadas atividades de acolhimento, evangelização, momentos de mística, palestras, reuniões, cursos de formação de novos agentes e oficinas de artesanatos, pinturas.
A casa fica localizada na Rua Professor Cleto, 1043, bairro Alto São Sebastião, em Paranaguá e conta com uma equipe de agentes voluntários da Pastoral da Aids.

EXPEDIENTE
Boletim da Pastoral de DST/Aids – CNBB
Rua Hoffmann, 499
CNPJ: 04953548/0001-07
Ano VIII - nº 28 – Junho/2009
Tiragem: 10.000
Editoração Eletrônica e Impressão: Editora São Miguel
Textos:Coordenação Nacional
Fotos: Arquivo Secretaria da Pastoral da Aids |