EDITORIAL
Chegamos com alegria para partilhar a caminhada que a Pastoral vem realizando e as ações previstas para 2009.
Caminhada esta que se sustenta na fé, na esperança, colaborando no enfrentamento do HIV através da educação e da construção da cidadania. Em comunhão com a CNBB anunciamos que “a paz é fruto da justiça”, tema que ilumina e desafia a pensarmos e agirmos para construir fraternidade e segurança pública.
A 26ª Vigília pelos mortos de aids a ser celebrada no 3º domingo de maio será iluminada pelo lema “A solução depende da ação de todos” e nos desafia a refletir que precisamos da ação conjunta para vencer a epidemia e, com ela, superar o preconceito, a discriminação e as mortes que poderiam ser evitadas. Realizar a vigília é, por isso, fazer memória dos entes queridos e juntar forças para jamais desistir de lutar por um mundo sem aids.
Chegue com este Boletim um vigor novo para continuar na caminhada. Ainda temos muitos desafios, mas a esperança é maior, sobretudo quando acreditamos que “a solução depende da ação de todos”.
Pastoral reúne Centros de Convivência
Nos dias 16 a 18 de fevereiro reuniram-se em Goiânia, representantes da Pastoral de DST/Aids – CNBB, do Programa Nacional de Aids e dos cinco Centros de Convivência (Casa Fonte Colombo – Porto Alegre, Grupo AAVE – Goiânia, SOS Vida – Petrópolis, Centro Dom Jackson – Manaus e Centro Madre Regina – Fortaleza) que trabalham com pessoas vivendo e convivendo com HIV e aids que, em parceria, desenvolverão o programa “ampliando a incidência política da rede da Pastoral da Aids”.
Depois da acolhida, espiritualidade e partilha das expectativas, o encontro seguiu com a socialização do trabalho desenvolvido nos Centros, cujo diferencial está no atendimento à população mais vulnerável e empobrecida de cada local.
Rubens Duda expôs a expectativa que o Programa Nacional de Aids tem ao estabelecer esta parceria: “queremos melhorar a resposta às DST/HIV/Aids e atuar com as redes que trabalham no Brasil, formando lideranças e reforçando o envolvimento dos agentes da Pastoral”. O projeto da Pastoral foi visto como relevante por estar na linha da incidência política, qualificando lideranças para os Conselhos, Comissões, Fóruns e frentes parlamentares pautando o tema do HIV e Aids.
Os participantes construíram um diagnóstico da realidade dos serviços em HIV, redigiram as diretrizes da Pastoral da Aids para ação na incidência política e organizaram as atividades do primeiro semestre.

Reunião da Coordenação Nacional
De 12 a 15 de fevereiro a coordenação nacional realizou a primeira reunião do ano, na cidade de Goiás, sede da Diocese de Dom Eugênio Rixen, presidente da Pastoral da Aids.
Além da partilha dos trabalhos nas regiões, organizou-se o cronograma de atividades para 2009. A coordenação também avaliou o VI Seminário de Prevenção e fez a programação do VII, que acontecerá de 09 a 11 de outubro, em Brasília. Durante a reunião, Dom Eugênio partilhou a experiência de participar do Sínodo sobre a Palavra de Deus, realizado em Roma e motivou os agentes de Pastoral para a leitura orante da Bíblia, pois ela é “uma carta de amor à humanidade”. Nesse sentido, a Bíblia perpassa toda a ação pastoral, orientando, dando critérios e iluminando a prática dos cristãos.

Coordenação Nacional
REFLEXÃO
Aids e Segurança Pública: A paz é fruto da justiça
A Igreja Católica no Brasil promove, mais uma vez, a Campanha da Fraternidade, iniciativa que há mais de 40 anos convoca as comunidades de fé e outros segmentos da sociedade para refletir e criar ações em torno de uma questão importante para a vida de todos. Neste ano o tema é "Fraternidade e a Segurança Pública".
A Igreja pretende, com esta Campanha, debater sobre a segurança pública com a finalidade de contribuir, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, para que a sociedade avance no compromisso e na promoção da cultura da paz. Uma cultura da paz fundamentada e comprometida com a justiça social. Por isso, o lema: “A paz é fruto da justiça”.
Com sua ação evangelizadora, a igreja adentra em questões complexas que estão configurando as feições da sociedade brasileira contemporânea. Injustiças e violências estão por todo lado e a sociedade se torna cada vez mais um palco de inseguranças, comprometendo a convivência humana.
Evidentemente que o tema da segurança pública nos leva a pensar no sistema prisional. Ainda há quem julgue que o aumento do número de cadeias e presídios seja a solução para a construção da paz. Outros denunciam que o sistema é inócuo e ultrapassado.
As pessoas que vivem em presídios têm aumentada sua vulnerabilidade para infecções devido às condições de confinamento. Causa particular preocupação a alta prevalência de HIV/Aids, hepatites B e C e outras doenças sexualmente transmissíveis observadas entre os internos. Além do isolamento, outros fatores de risco como a marginalização social, a dependência de drogas, o baixo nível socioeconômico e as precárias condições do serviço de saúde contribuem para a alta prevalência destas infecções.
No Brasil, o problema de saúde pública representado pela infecção por HIV/Aids na população prisional vem sendo tratado de maneira não-sistemática. A rejeição social a essas pessoas aumenta quando se sabe que ele está doente. E a falta de informação torna sua pena dupla num confinamento insalubre. O direito a boas condições de saúde é condição primária para o resgate da dignidade humana, que também as pessoas que hoje estão privadas de liberdade têm direito.
Por outro lado, como propõe a CNBB, o tema da segurança pública deve ser debatido em igrejas, escolas e movimentos sociais, suscitando o diálogo com o poder público para a elaboração de programas, leis e políticas de segurança. A Campanha também quer estimular a criação de grupos de direitos humanos que acompanhem casos de violação de direitos, denuncie e combata o trabalho escravo, o tráfico de pessoas, a exploração sexual e a violência doméstica. Temos muito a fazer e podemos contribuir para instaurar uma cultura da paz.
CONVHIVENDO COM HIV
Saúde Bucal: Como deve ser o tratamento odontológico do paciente HIV+
Os portadores de HIV necessitam, além dos cuidados médicos, de atendimento odontológico criterioso que abrange dois tipos de abordagem:
A primeira é o tratamento dentário tradicional, que visa eliminar as formas mais comuns de infecção bucal, que são a cárie e a doença periodontal, além da orientação para os cuidados de higiene bucal para a prevenção de novas infecções. Este tipo de atendimento pode e deve ser realizado por todos os dentistas, segundo o código de ética odontológico, em nada diferindo do atendimento a ser prestado a outros pacientes. As normas de biossegurança são recomendadas para todos os pacientes.
A outra forma de abordagem seria com relação às manifestações bucais que a infecção pelo HIV apresenta. Muitas vezes, essas alterações representam os primeiros sinais clínicos da doença, podendo alertar o dentista para a suspeita de infecção pelo HIV e um encaminhamento adequado do caso. (Fonte: http://www.soropositivo.org/facinfo.asp?menucod=464)
FATOS
A Pastoral nos regionais Leste 1 e Leste 2
Seguindo a organização da Igreja no Brasil, a Pastoral da Aids também é dividida em Regionais e representada por lideranças que, com palavras de sabedoria, carinho e apoio, contribuem para que a Pastoral se torne presença viva e real nas dioceses e paróquias. Nesta edição partilhamos algumas experiências da Região Leste que engloba os Estados de Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
Pastoral no Espírito Santo
A Pastoral da Aids está se organizando nas dioceses e paróquias. Em 2008, a 1ª Capacitação de Agentes concretizou a implantação da Pastoral na Arquidiocese de Vitória, com o apoio do Assessor Nacional da Pastoral, dos coordenadores da Região e dos Bispos Dom Luiz Vilela e Dom Frei Mário Márquez.

A pastoral participa também do Centro de Apoio ao Cidadão CAC, organização que trabalha para melhorar a qualidade de vida e possibilitar a reintegração familiar e social dos portadores do vírus HIV/AIDS em situação de exclusão social. A união de vários esforços da sociedade e seus programas garantem vida digna, resgatando e fazendo valer os direitos das pessoas que vivem com HIV e Aids.

Regional Leste 1- Rio de Janeiro
O Regional Leste I vem atuando em diversas frentes: formação de agentes; ações em parceria com ONGs, Cáritas Arquidiocesana, Governo e outras esferas; participação em Conselhos Municipais de Saúde; divulgação de informações em rádios; realização da vigília pelos mortos e dia mundial de luta contra a Aids. Tudo isso sem descuidar dos momentos de espiritualidade e reflexão, acompanhados por Dom Alano Maria Pena, Bispo referencial no Regional Leste I.
Para esse ano a expectativa é fortalecer essas ações e estabelecer formação continuada para a inserção política de seus agentes em unidade com o Pastoral Nacional.

Inauguração da Casa de Apoio Nossa Senhora da Conceição

No dia 5 de dezembro foi inaugurado a Casa de Apoio Nossa Senhora da Conceição, localizada na Região Noroeste de Belo Horizonte. A unidade é fruto de um acordo firmado entre o governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a Cúria Metropolitana.
O objetivo da Casa é prestar assistência, acolhimento, apoio, orientação e incentivo para os portadores de HIV/Aids e familiares de modo que eles tenham qualidade de vida e sigam corretamente o tratamento.
Dom Walmor de Oliveira, Arcebispo da Arquidiocese assim se expressou: “Com a inauguração da casa, nasce um novo ciclo de comprometimento com os mais pobres, doente e sofredores”. A casa também tem a finalidade de capacitar novos agentes que vão levar para as comunidades uma visão maior da prevenção do HIV, da convivência, da assistência, apresentando um novo ponto de vista em relação à doença.
NOTÍCIAS

A Aids deixou de ser notícia nos grandes meios de comunicação. No entanto, ainda causa muitas mortes. Em 2008 morreram mais de 25 milhões no mundo. No Brasil, a cada dia, morrem 35 pessoas e são registrados mais de 90 novos casos de Aids.
A Vigília pelos mortos de Aids é um alerta frente às mortes e um convite para atitudes de cuidado diante do HIV, de solidariedade com quem perdeu pessoas de sua convivência e celebração das ações realizadas no seu enfrentamento. Esse ano a 26ª Vigília traz o tema “a solução depende da ação de todos”. Ele é um convite a nos unir, pois a solução para saúde, vida com qualidade depende de todos. (arte do material da Vigília pelos mortos de Aids)
Sugestão de celebração para a Vigília
Ambiente: cartaz da vigília, vela grande, pano vermelho, colcha de retalhos. Na entrada do local entregar vela pequena.
Motivação Inicial: Irmãos e irmãs, bem vindos a esta celebração. Celebra-se hoje, no mundo inteiro, a 26ª vigília em memória das pessoas que morreram por causa da Aids.
Fazendo memória da Páscoa de Cristo na páscoa daqueles que morreram por causa da Aids, pedimos que a ternura de Deus seja nosso conforto. E que sua força nos ajude a superar o preconceito e a lutar para que todos tenham seus direitos garantidos.
Expressemos nossa esperança e fé, cantando
Ato penitencial: (Entram 3 pessoas de pontos diferentes com a palavra escrita em letras grandes: AIDS)
Animador: Olhemos para essa palavra e nos perguntemos: o que ela diz para mim? Deixemos que ela nos fale. (momento de silêncio e convidar para cantar o refrão apropriado)
Glória:
Animador: Louvamos a Deus por todas as pessoas que voluntariamente se colocam a serviço, ajudando a defender a vida, indicando e construindo caminhos para uma sociedade sem Aids.
Canto:
Liturgia da Palavra:
Primeira Leitura: At 10, 44-48
Evangelho: Jo 15, 9-17
Partilha breve da Palavra
Memória:
(apagar as luzes deixando só a vela grande acesa. As pessoas são convidadas a falar o nome das pessoas que faleceram expressando algo de bom que ela deixou, acende a vela e vai passando para os outros acenderem. No final entregar o folheto e rezar oração pela vida).
EXPEDIENTE
Boletim da Pastoral de DST/Aids – CNBB
Rua Hoffmann, 499
CNPJ: 04953548/0001-07
Ano VIII - nº 27 – março/2009
Tiragem: 10.000
Editoração Eletrônica e Impressão: Editora São Miguel
Textos: Coordenação Nacional
Fotos: Arquivo Secretaria da Pastoral da Aids
Segunda Leitura: 1 Jo 4, 7-10 |